Nascido em Franca, São Paulo, no dia 14 de março de 1914, Abdias do Nascimento é uma referência de superação e luta das questões ligadas não só às políticas públicas para a comunidade negra, como também à elevação da auto-estima dos descendentes de africanos em toda a América.
Bacharel em Economia pela Universidade do Rio de Janeiro em 1938, tem diploma pós-universitário pelo Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), é pós-graduado em Estudos do Mar pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Ministério da Marinha, em 1967. Doutor Honoris Causa, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 1993. Doutor Honoris Causa, Universidade Federal da Bahia, 2000. Exerceu vários cargos públicos, eletivos e executivos, tais como deputado federal (1983-86), secretário de Estado do governo do Rio de Janeiro, à frente da Secretaria Extraordinária de Defesa e Promoção das Populações Afro-Brasileiras (SEAFRO, 1991-1994), senador da República (1991-99). Suplente do Senador Darcy Ribeiro, assumiu a cadeira no Senado, representando o Rio de Janeiro pelo PDT em dois períodos: 1991-1992 e 1997-99. Secretário de Estado de Direitos Humanos e da Cidadania, Governo do Estado do Rio de Janeiro, 1999. Coordenador do Conselho de Direitos Humanos, 1999-2000. Professor Emérito, Universidade do Estado de Nova York, Buffalo, de 1971 a 1981, fundou a cadeira de Cultura Africana no Novo Mundo no Centro de Estudos Porto-riquenhos.
A sua história, porém, não se resume apenas ao ativismo político e à produção intelectual, Abdias brilhou também nas artes plásticas e no teatro. Criou o Teatro Experimental do Negro (TEN), em 1944, apresentando uma nova perspectiva na arte da representação teatral e, com sua pintura, buscou valorizar aspetos da religiosidade e do universo cultural afro-brasileiro. Publicou, entre outros livros, Sortilégio - mistério negro (1957/1979), Dramas para negros e prólogo para brancos (1961), O negro revoltado (1968/1982), Axés do sangue e da esperança (1983), O genocídio do negro brasileiro (1978), Sitiado em Lagos (1981), Orixás: os deuses vivos da África (1995), e O Brasil na mira do pan-africanismo (2002).
Estiveram presentes na sessão especial, o autor do projeto, deputado Valmir Assunção, a secretária de Promoção da Igualdade Racial, Luíza Bairros, representando o governador do Estado, o ex-governador da Bahia Valdir Pires, o presidente da Assembléia Legislativa da Bahia, deputado Marcelo Nilo, o vice-prefeito da cidade do Salvador, Edvaldo Brito, a esposa de Abdias, Elisa Larkin, a Ialorixá, Mãe Stela de Oxossi do Ilê Axé Opô Afonjá, Elói Ferreira, da Seppir, a presidente do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra, Vilma Reis, o presidente do Bloco Afro Ilê Ayê, Antônio Carlos Vovô, o presidente do Olodum, João Jorge, dentre outros e outras representantes expressivos da militância negra no estado da Bahia.
Vale salientar que o discurso do deputado Valmir Assunção, assim como o da secretária Luiza Bairros, solidificaram a importância da honraria ao professor. Valmir Assunção falou sobre o a ocasião especial que é homenagear o professor Abdias, por ser ele um militante convicto de suas proposições. "Abdias não é só um cidadão baiano e brasileiro, mas sim um cidadão do mundo. Ele é uma das maiores referências do povo negro". Dessa forma, o deputado expressou a grandeza do ato de reconhecimento realizado pela Assembléia Legislativa. Já a secretária Luíza Bairros destacou que Abdias é uma pessoa adiante de seu próprio tempo e que tudo que sabemos hoje sobre o racismo e seu papel estruturante na sociedade brasileira foi antecipado por ele. Bairros citou a responsabilidade dos baianos, como também dos (as) parlamentares que compõem a Assembléia Legislativa, em realizar um debate profundo no que diz respeito ao estatuto da igualdade racial e da intolerância religiosa no estado.
Abdias do Nascimento é sem dúvida um dos maiores intelectuais pan-africanistas, de larga influência sobre várias gerações de ativistas e estudiosos.Ao longo de seus 95 anos soube manter-se fiel à luta contra o racismo e pela superação das desigualdades raciais. Soube também, como poucos, valorizar nossa trajetória histórica e valores de cultura, considerando sempre que nossa inserção histórica e a perspectiva daí decorrente são fundamentais para a construção de uma sociedade brasileira efetivamente democrática. Não é outra a essência do projeto político a que denominou, coerentemente, de Quilombismo. Ele conseguiu transmitir as suas idéias, intervenções e pensamentos, a partir do seu próprio lugar social e apoiado na trajetória de seu povo. Na poesia que escreveu, (Padê de Exu libertador), em 02 de fevereiro de 1981, Abdias pede a Exu para "plantares na minha boca o teu axé verbal". Suas intervenções expressaram de algum modo a sabedoria ancestral. A Bahia recebe com orgulho um baiano de Axé.

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